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CATÁLOGO

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Brasília, com suas linhas icônicas e formas arrojadas é mais do que a capital do país; é uma síntese de modernidade e cultura. Esta exposição presta homenagem à cidade, explorando suas nuances através de uma linguagem abstrata que reflete sua essência. Que este catálogo seja uma ponte entre você e a Brasília reinterpretada em arte.

Artista :- ELMMIRO
Texto Crítico:- CARLOS LIN
Curadoria :-Do próprio Artista 
Galeria :  RUBEM VALENTIM-
Espaço Renato Russo 508 Sul
Brasília - DF

 

Texto Crítico

Alegorias da cidade: um elogio a Brasília (A arte de Elmiro na capital federal do país)

 

Elmmiro gosta de pintar e de esculpir. Ele faz de sua vivência, com a pintura e a escultura, um momento meditativo de imersão e contemplação para chegar à expressão. Formas, linhas, campos de cor, contrastes entre uma área e outra, ganham vidas e são ofertadas pelo artista como convites para um mergulho na emoção de produzir e de compartilhar a criação. A nós, diante do conjunto de suas obras, cabem-nos sensações das mais significativas: viver o instante do encontro, aprofundar a percepção de um estar no mundo lapidado pela produção em arte contemporânea, apurar o olho para enxergar melhor certas coisas, prestar atenção para entender melhor o que interessa, mergulhar nos campos das obras para fazer uma viagem sem sair do lugar e passear entre uma proposta e outra, fruir com o mundo de uma maneira especial e exclusiva, já que o sentimento vivido na fruição é da ordem do intransferível. Estar em conjunção com as obras conduz-nos pelo fluxo da vida.

 

O artista faz de seu lugar, Brasília (DF), e de seu momento, entre 2024 e 2025, o aqui e agora de sua criação. O tempo é sempre presente. Vínculos com a história da arte e com o barroco brasileiro são atualizados e percebidos em suas composições abstratas. Mas, é de Modernidade que o conjunto da obra trata. Estudioso, natural de Crateus (CE), nascido em 1966, Elmmiro tem formação e atuação múltiplas no campo das trocas simbólicas. Sua vida é cheia de situações variadas. Ele dedica-se à arte num envolvimento amoroso. O envolvimento com a matéria é um estímulo a se expressar. A tinta se transforma em substância de desejo, o volume se entrega ao carinho da construção: a matéria se transmuta pela ação do artista. A lição de amor se confirma em cada encontro com o que está exposto. A construção das obras segue um rigor de composição. As áreas de cor e de volume se relacionam, geralmente, a partir de contatos entre contornos definidos para as formas no espaço e para as manchas cromáticas nas telas. A matriz abstrata salta aos olhos. A síntese formal e geométrica se apresenta para celebrar, mais uma vez, a vida no planeta. As obras atualizam uma tradição milenar.

 

A geometria é usada para a produção artística desde os primórdios da humanidade. Hoje, o artista se arrisca sobre a tela em branco e efetua travessias pelo universo das formas. Para conceber sua poética, ele convoca elementos que funcionam como linhas de força para a conjunção entre as partes que compõem suas séries. Os vínculos simbólicos com a terra, o fogo, a água e o ar são mantidos como temas condutores do imaginário para a criação artística. Há uma herança híbrida na representação de cada um desses elementos. No decorrer dos tempos, ao redor do planeta, os artistas se dedicam a isso, em conjunto com uma série muito variada de pessoas que, de uma maneira ou de outra, lidam com a forma das coisas e com a coisa das formas. A história da arte dá provas esclarecedoras sobre as relações culturais entre esses elementos geométricos e certas práticas sociais.

 

Na vastidão do planalto central, ocupado desde milhares de anos, encontra-se a tradição abstrata incrustada na paisagem e na produção dos antigos habitantes do cerrado brasileiro. Os orifícios, os círculos, as sequências de formas, presentes nas figuras sulcadas da Pedra do Bisnau, em Formosa (GO) e as pontas de lanças esculpidas em pedra encontradas no Parque Duas Meninas, em Ceilândia (DF), apresentam a síntese geométrica, com a qual estamos acostumados e familiarizados. Foi ela quem conduziu o pensamento preliminar para a construção de Brasília. Primeiro, o cruzamento de dois eixos, norte-sul e leste-oeste. Segundo, uma forma definida entre paralelas, verticais, horizontais, diagonais, retas e curvas, formando um avião, uma mariposa. Terceiro, um volume definido, um cubo, uma esfera, um cilindro, um cone, formas típicas na arquitetura de Oscar Niemeyer. A cultura aceita quase tudo e atualiza muitas tradições. A tradição abstrata tem sido atualizada de tempos em tempos, nas mais distintas regiões do planeta, pelas mais variadas pessoas.

 

Elmiro é uma dessas pessoas que atualizam a relação entre a abstração e as artes visuais, particularmente, entre pintura e escultura. Nesse caso, essas linguagens compõem o campo da atualização da tradição abstrata na produção do artista. O momento contemporâneo aceita também quase tudo. As tradições se fundem e criam outras acomodações. Alguns retornos atualizam possibilidades e autorizam-nos a seguir em frente. Temos o direito à liberdade de expressão. É isso que Elmiro faz, tudo aquilo que ele pode e que a conjuntura atual autoriza. Camadas sobre camadas de história constituem o viver e o substrato da produção de arte. A arte contemporânea dá amplas e variadas provas disso, desde a valorização das práticas vernaculares até as manipulações em inteligência artificial.

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Brasília é a musa de Elmiro, assim como foi a insônia de Clarice Lispector, a síntese das artes de Mário Pedrosa e o encontro adiado de Fernando Cocchiarale. A capital do país é um lugar para a construção de muitos sonhos. Tendo chegado em Brasília em 1988, Elmiro, como muitos de nós, apaixonou-se pela cidade e quer que ela seja o melhor lugar da vida. Para se viver, são necessárias várias situações interconectadas. A arte funciona como conexão entre isso que o artista expressa apresentado pela obra, e aquilo que se percebe disso. A fruição proporciona para nós uma transformação na vida. Estamos no fluxo, somos levados pelas vivências em arte que tendem, no particular e no geral, a transformar o mundo.

 

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Carlos Lin

Brasília, janeiro de 2025

SÉRIE ELEMENTARES

A série investiga a relação entre gesto, campo cromático e estrutura espacial, articulando variações tonais associadas à formação do território de Brasília. A pintura não representa a paisagem, mas constrói formalmente a ideia de sedimentação, tempo e construção.

Por meio de sobreposições e tensões entre linha e matéria, as obras organizam superfícies que sugerem camadas e convergências entre natureza e arquitetura. Apresentada em galeria pública da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, a exposição propõe uma leitura abstrata do território como processo e estrutura.

Obra - Elementares
DÍPTICO

Dimensão de cada arte  150x150 cm
Dimensão total 150x300 cm
Acrílico sobre tela 

Obra - Água
Dimensão  110x70 cm
Acrílico sobre tela 

Obra - AR
Dimensão  110x70 cm
Acrílico sobre tela 

Obra - Fogo
Dimensão  110x70 cm
Acrílico sobre tela 

Obra - Terra
Dimensão  110x70 cm
Acrílico sobre tela 

SÉRIE formas concretas

Inspirada pela geometria e pelo rigor do urbanismo de Lúcio Costa, esta série explora a arquitetura concreta que define Brasília.

Os ângulos precisos e as interseções harmoniosas são uma ode às linhas da cidade planejada, enquanto os tons neutros ressaltam a força e a simplicidade do concreto como base de um urbanismo visionário.

Obra - CONEXÃO
Dimensão  165 x 275 cm
Acrílico sobre tela 

Obra -CONEXÃO II
Dimensão  150x120cm
Acrílico sobre tela 

Obra - CONEXÃO IV
Dimensão  80x80 cm
Acrílico sobre tela 

Obra - CONEXÃO III
Dimensão  150X120 cm
Acrílico sobre tela 

Obra - CONEXÃO  V
Dimensão  80x80 cm
Acrílico sobre tela 

SÉRIE cores de brasília

As obras da série desenvolvem uma investigação cromática orientada por variações estruturais e articulação espacial. A paleta estabelece contrastes e continuidades que dialogam com a construção urbana e a lógica arquitetônica da capital, sem recorrer à representação literal.

As composições operam por deslocamentos formais e relações de campo, organizando superfícies que sugerem tensão entre estrutura e fluxo. O conjunto propõe uma leitura abstrata da cidade como sistema de convergências — entre projeto moderno, território e dinâmica cultural — traduzida em linguagem pictórica

Obra - NATIVIDADE
Dimensão  135X165 cm
Acrílico sobre tela 

Obra - BRASÍLIA 60+1
Dimensão  135X165 cm
Acrílico sobre tela 

Obra -Rastros
Dimensão  45 x 38 cm
cada tela
Acrílico sobre tela 

Obra -FENIX
Dimensão  135X165 cm
Acrílico sobre tela 

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Obra -AQUÁRIO
Dimensão  135X165 cm
Acrílico sobre tela 

Obra -FEESTEJAR
Dimensão  135X165 cm
Acrílico sobre tela 

MEMÓRIAS URBANAS

Esta série é uma jornada introspectiva pelas marcas deixadas pelo tempo na paisagem urbana. Cada obra é uma narrativa visual que explora a interconexão das experiências humanas com o espaço físico e o simbolismo de Brasília. Linhas sutis e contrastes dramáticos criam um diálogo entre passado e presente, enquanto formas etéreas sugerem a transcendência dos limites físicos da cidade. Um mosaico de memórias que se entrelaçam.

Obra Atlas
Dimensão  110 x 70 cm
cada tela
Acrílico sobre tela 

Obra -BISNAU I
Dimensão  135X165 cm
Acrílico sobre tela 

Obra -BISNAU II
Dimensão  45 X 60 cm
Acrílico sobre tela 

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Obra -BISNAU III
Dimensão  45 X 60 cm
Acrílico sobre tela 

Obra -BISNAU IV
Dimensão  45 X 75 cm
Acrílico sobre tela 

Obra -VESTÍGIOS I
Dimensão 52 X 58 cm
Acrílico sobre tela 

Obra -VESTÍGIOS II
Dimensão  52
 X 58 cm
Acrílico sobre tela 

ESCULTURA

Composta em aço e pintada em vermelho e prata, celebra a essência abstrata e geométrica que define Brasília. Suas formas interdependentes evocam o diálogo entre o concreto e o vazio, capturando a linguagem modernista da capital e a racionalidade presentes nas linhas arquitetônicas de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.

A relação entre os elementos estruturais da peça revela uma harmonia dinâmica, remetendo ao equilíbrio entre monumentalidade e leveza, que é tão característico do urbanismo de Brasília, sugerindo a interação contínua entre construção e natureza nos espaços abertos da cidade.

 

A escultura representa a convergência de força e fluidez, forma e função, matéria e ideia. Com suas linhas geométricas e interação de volumes, transforma o concreto em poesia visual.

Título:  EQUILÍBRIO URBANO
Série: Formas Concretas

Dimensão  180 x  130 x 80 cm

Material : Aço Pintado

Convergências Urbanas 

Arte Contemporânea em Brasília

A exposição Convergências Urbanas, do artista Elmmiro, apresentada na Galeria Rubem Valentim no Espaço Renato Russo, em Brasília, insere-se no cenário da arte contemporânea brasileira como um diálogo potente entre geometria, arquitetura e identidade urbana.

 

Inspirada no rigor urbanístico de Lúcio Costa e na monumentalidade arquitetônica que define Brasília, a série Formas Concretas revisita a tradição da arte concreta e do modernismo brasileiro sob uma perspectiva autoral e contemporânea.

 

As obras exploram composição geométrica, interseções estruturais e uma paleta cromática sofisticada, conectando arte, arquitetura e cidade. Com forte influência da arte abstrata geométrica, do construtivismo e do pensamento urbano moderno, o trabalho de Elmmiro posiciona-se no circuito institucional de arte contemporânea do Distrito Federal, dialogando com museus, galerias, curadores independentes e colecionadores de arte que buscam obras com consistência conceitual e valor histórico-cultural.

 

A exposição reuniu em Brasília expoentes da produção artística contemporânea :Curadores e diretores de museus– Instituições culturais– Galerias de arte contemporânea– Colecionadores e investidores em arte– Arquitetos, profissionais de design e Pesquisadores de arte moderna e urbanismo . Reforça a relevância da Galeria Rubem Valentim como espaço estratégico para a difusão da arte brasileira.

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 Elmmiro integra uma nova geração de artistas que transformam o concreto urbano em linguagem poética, ampliando as fronteiras entre arte, arquitetura e pensamento crítico.

Obra -Memórias em Movimento
Dimensão  150 X100 cm
Acrílico sobre tela 

Linhas brancas em espirais e padrões repetitivos emergem de um fundo bege, criando formas orgânicas que lembram folhas ou células vivas. A fluidez das curvas contrasta com a precisão dos detalhes internos, que remetem a padrões arquitetônicos ou a um código visual latente. A obra busca capturar a essência de uma memória pulsante e orgânica, onde a cidade é vista como um organismo vivo, em constante transformação.

Obra -CÁLICE
Dimensão  200x100 cm
Acrílico sobre tela 

A obra revela o desgaste das paredes em um diálogo entre linhas fluidas e tons terrosos, evocando a materialidade da paisagem e a transcendência simbólica. As formas sinuosas convergem para revelar a imagem de um cálice, um símbolo de contemplação e espiritualidade. Essa composição destaca a harmonia e a transformação presentes na interação entre homem e natureza.

Obra -CONVERGÊNCIA
Dimensão  160x80 cm
Acrílico sobre tela 

Convergência" apresenta uma harmonia instigante entre formas geométricas e  cores vibrante. A obra explora a interseção entre dualidades, – o estático e o dinâmico, o individual e o coletivo, criando uma narrativa visual que transcende o literal. As linhas marcantes e cores intensas  construí uma composição que reflete sobre a transformação e as conexões invisíveis que moldam nossas experiências. As formas se entrelaçam em um equilíbrio quase tangível,  O fluxo e o diálogo contínuo entre as partes e o todo.

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